quinta-feira, 31 de julho de 2008

Diário de 1 Acampamento


O diário foi iniciado ao estilo discreto do Sadi, em uma daquelas tardes de dolce far niente, em que a gente conversava com os pés na areia sob a sombra protetora do ranchão, sorvendo a delícia do café forte coado na cafeteirinha italiana. O Diário de 1 Acampamento ganhou logo alguns escritos de quem se inspirou no ato por aquele chamamento... Folhas grandes guardadas em saco plástico pendurado na palha, tornaram-se páginas primeiras com os escritos in situ do Dani-Alfredo, Saida, Maíra, Célia-Sogrona, Thaís, Luan, Paulo, Laerte, Márcia... O desenho do Luan é imagem pura dos símbolos que marcam nosso espaço ribeirinho: o ranchinho, a areia, o sol, a mata, a passarinhada, o rio passando ao lado, em correnteza convidativa... E como o estado-de-espírito dos ariranhas é perene, o diário vai ganhando novas páginas escritas a posteriori, enviadas em folhas virtuais pela Lu, André, Licia, Zé-Sogrão, Elisa... Uiva bando de lobos!! Fala ariranha!...
Diário de 1 Acampamento
O visto, mas não dito; o pensado e não falado; o ouvido e não dito. Deixe sua alma falar, mas depois pague o preço. Faça as perguntas (in)discretas e sem respostas. Por exemplo, qual era a dor que afetava a Lícia? Dor ou doença? Sadi
O que é o Araguaia? Como é o Acampamento Ariranha? Como explicar para alguém que nunca veio? Impossível!!! Só vindo. Mas quem vier terá uma surpresa, muito agradável por sinal. Proximidade com a natureza em estado puro, clima leve e ótima companhia, novas amizades concretizadas em um pequeno barco entre um peixe e outro, entre um jogo e outro ou apenas vendo o tempo passar enquanto cascos de cerveja vêm cheios e voltam vazios (às vezes com uma piada). Quem veio com certeza recomendará e levará para a civilização ótimas histórias e um ótimo estado de espírito. Alfredo (Daniel Barjas)
Estado de espírito. Esta é a sensação do Acampamento Ariranha. Crianças, adolescentes, jovens e adultos vivendo, comendo, brincando, passeando em total sintonia. É incrível!!! Que delícia viver cada dia, cada hora, cada momento. Tudo é novo, tudo é velho, tudo é bom, tudo é vivido com muita calma e muita intensidade. Amo o Araguaia, amo o Acampamento Ariranha, amo todos vocês. Obrigada, gente. Saida
É fácil se sentir inspirada pra escrever sobre essa experiência. Ah, sim, porque esses dias que a gente planeja com tanta antecedência, para viver junto e espera tanto para que cheguem logo, quando chegam trazem um mundo de experiências à parte! Ficar à beira do Araguaia 24 h por dia, e dividir essa delícia com pessoas queridas, que compartilham as atividades, as responsabilidades, os papos pro ar, sempre com muito bom humor, é um astral incomparável! Eu me sinto privilegiada por fazer parte dessa turma e essa turma fazer parte da minha vida! O Araguaia certamente fará sempre parte de mim! Ma (Maíra)
Para mim, o tempo de viver tem um marco Antes e Depois do Araguaia, desde a primeira vez. Os laços de amizade se apertaram, alguns ganharam nós indesatáveis. Outros vão se fazendo aos poucos, em contatos que começam com os pés na areia, conversa que chega pra ser jogada fora sem os compromissos com o “deixa pra lá”, ou “pra depois”, olhares de puro amor que se encontram em sorrisos abertos, sem fim, em risadas de pura alegria... em uivos coletivos da alcatéia, pra lua que surge, vista do barco ou da praia, ou do rancho... em brincadeiras ao redor da mesa, coisa danada de boa, sô. E depois sempre há os encontros, onde a saudade daqui se apresenta de modo feliz, porque vem carregada de abraços, de lembranças, de histórias que cada um guarda pra enriquecer a conversa da gente, “ano a fio”. É a vida, e é bonita, é bonita... Amo vocês muito putaiada querida do meu coração. Genros e noras, é um orgulho ser a sogrona de vocês. (Célia)
Mais um dia inicia-se. O sol brinda a todos com o seu calor e sua luz. Sob os pés, a suave massagem da areia onde se instalam conchas e outras surpresas. Os pequenos ranchos de palha abrigam seus moradores temporários com o aconchego e conforto que lhe são cabíveis. O rancho principal presencia conversas animadas, refeições em grupo, brincadeiras de criança, jogos, reuniões e, por que não, algumas discussões. O rio caminha logo ao lado, presenteando-nos com o poder de suas águas e seu sussurro discreto a embalar o sono dos que dormem. As manhãs são quentes, as tardes convidam ao banho de rio e as noites repletas de calor humano deixam lembranças que se mantém vivas por anos a fio. A luz da lua ilumina os quatro cantos e torna o coro de seus admiradores audível aos quatro ventos. O Rio Araguaia que aqui corre não leva apenas suas águas. Carrega experiências, aprendizados, lembranças, laços e infinitas demonstrações de um amor que não cabe em si. Cada um dos que aqui estão contribui e torna eterno o sonho de dez dias que valem por uma vida. O Araguaia é a mãe, o seio, o berço de uma história em que o cenário fala por si só, os personagens são todos principais e o enredo é sempre feliz. Thaís Antonio (Tia Tatá)
Qual foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez? Agora, no Rio Araguaia. Trata-se de um resgate da juventude. Estudante de jornalismo, na UFG, em 1974, ouvia falar nesse tal Araguaia. Era impossível chegar até ele, então. Passados 34 anos, com a mulher que deu rumo à minha vida, e com um filhote que justifica nossa existência, pude chegar ao paraíso. Mais que a natureza, mais que o relax, o encontro de pessoas tão maravilhosas e calorosas me enche de energia. Viva a Lícia que nos entronizou no mundo encantado dos Antonios. Obrigado, do fundo d’alma, pelo carinho atenção e generosidade. Se nosso Fernando tiver metade do coração dos meninos (Paulinho, Pedro, Daniel, Rafael) seremos pais felizes. Ao companheiro boiadeiro Orley um forte abraço. Ele enfrentou, sozinho, a dificuldade dos últimos 6 anos, com galhardia. E nos permitiu conhecer a encantadora e doce Silvana. Tio Sogrão, Tia Sogrona. Maíra e Daniel Alfredo. A doce Júlia. Thaís dos Lençóis. Os filhotes maravilhosos da Suely e do Zé Aércio (André e Guga). As mamães Carolina e Luciana. A incansável Tia Viza e seu inseparável Rogério. Os compadres Saida e Sadi, reservas técnicas/amorosas/amigas que me acompanharam estes anos todos e nos deram sinal verde para participar da excursão ao Araguaia. Tia Lu e Tio Paulo. Se alguém, um dia, precisar de solidariedade já sei a quem recorrer e indicar. Obrigado por tudo. Até a próxima. OBS.: a felicidade do Fernando é o agradecimento maior. Viva para os companheirinhos Luan, Lucas, Luiza, Bia e a doce Isabela. Laerte Rímoli
Cheguei aqui muito antes. O corpo cumpria a rotina, mas a cabeça não parava de pensar nas providências a tomar: roupa velha, agasalho, repelente, filtro solar, óleo de amêndoas, filtro solar, brinquedos, os itens da farmacinha. Fará frio ou calor? Quantos graus de dia? Quantos à noite? E o rio? Será perigoso? Quem será que pode emprestar-nos uma barraca? E o colchão de ar? Será bom? E no ônibus? O que levar? E de repente, todo esse stress recheado de pensamentos complicados transforma-se naquilo que o Araguaia é: prazer e simplicidade – o verdadeiro espelho de nossas almas. É preciso ter a sabedoria de lidar com as poucas adversidades, naturais de qualquer aventura. Mas, tudo é válido quando se tem o privilégio de estar aqui e contemplar a maravilha que invade nossos olhos diariamente e se reflete no brilho encontrado nos olhos do nosso menino, levado pela correnteza e pelo tempo. Os sons também são marcantes: o gerador ao fundo, o samba, a serenata, as gargalhadas (e às vezes brigas) das crianças, o jogo da noite, a festa das gaivotas na limpeza dos peixes, os aplausos da pescaria, os roncos da madrugada, e a saudação do dia seguinte: ACORDA PUTAIADA!!!! Outro privilégio inesquecível é ingressar neste núcleo tão especial e sólido que é a família Antonio! É mercante a maneira generosa e acolhedora com que nos receberam. Ficam aqui os mais sinceros agradecimentos e a certeza de que foi uma estréia fenomenal? Márcia
Muito trabalho, muita beleza, muita alegria e uma alegria maior que é ver o rosto dos nossos queridos amigos, parentes, família, aqui. Tudo é muito difícil, mas vale à pena (será?!?!) Acho que vale, pois a convivência é algo surpreendente e só traz felicidade, pois não ouvimos queixas, lamentações, só elogios e muito mais risos que choros. Aliás, choro nenhum... Tudo muito bom... Tudo muito bom... Paulo

Gostei muito do araguaia é legal e divertido e tem muitas brincadeiras. Luan

Após rápida consulta, chegamos a seguinte solução, também provisória: o acamPAMENTO passa a se chamar acampeCANTE ARIRANHA! Acha que cola? Sadi
Páginas Virtuais
Tão pensando que o Araguaia acabou?!?!?!? Ele não acaba... Nós que voltamos acabados.... rsrsrsrss. Estou mandando o "Diário de 1 Acampamento" com os depoimentos dados lá na beira do rio. Mas você que ainda não deu o seu, mande para nós que faremos o "Diário 2 de 1 Acampamento"... Como as folhas são muito grandes, ficou estranho para escanear. Só o desenho do Luan que ficou "original"... Beijos para todos Lu
[Foi assim, então, que a LU iniciou as páginas virtuais deste Diário, inspirando os escritos que se seguiram, alguns enviados em doses múltiplas, como os da Licia]
Diario do Ariranha (Por André). - No Araguaia, que visito todo ano (obrigatoriamente), eu enfio o pé na jaca. Bebo (muito) todos os dias, tomo um sol insano na cabeça também diariamente, e o mais inusitado: faço cocô olhando pro céu! (literalmente, pois o banheiro não tem teto). A água gelada do banheiro já acostumei, inclusive tomo banho no rio, junto com minhas filhas. Falando em filhas acho que a frescura delas, tipo ter nojo de peixe vivo, de areia, de óleo, de pum fedido (sim peida-se MUITO no Araguaia), está indo pra cucúia. Estou preocupado: Como elas vão se entrosar com as Barbies em Brasília? Outra overdose é de música, sempre com um cunhado a tiracolo. Bão também. Como esse acampamento é a cada 3 anos fica engraçado quando chegamos a certas concusões: 1- Todo mundo engordou (o meninos estão ainda magros, mas eles eram MUITTTTOOOO magros). 2- Os meninos (vulgo ariranhas) estão imbatíveis na cerveja, no bom humor, na falta de frescura (sim era tudo bichinha manhosa), na pescaria, no esportes e no companherismo. 3- Eu virei o tio André. Mas continuo jogando de igual pra igual com eles, apesar das apeladas básicas. 4- Não consigo me entender com a mulherada. Ou minhas brincadeiras são muito pesadas, ou o humor delas é limitado. Acho que são as duas coisas. Façamos o seguinte: EU PROMETO QUE VOU TENTAR SER MENOS ESCROTO DA PRÓXIMA VEZ. DESCULPA CARALHO!!!! Continuando meu diário, é isso aí, Araguaia é um bem necessário!!! Para todos que foram um beijo!! Para os que ficaram de papo furado e não foram (Dudu, Henrique, Selma, Túlio, Taís, Matheus, Fádua, Renata, Manfredo, Ricardo, Maria Paula, Roberta, José Ricardo e outros), pra vocês eu só digo uma coisa: W CASSETE!!!! Pra finalizar uma musiquinha para galera: " Era um acampamento muito engraçado, não tinha teto só tinha palha, ninguém podia peidar tranquilo, porque os primos ouviam aquilo, ninguém podia dormir na rede, porque os mosquitos estavam com sede, ninguém podia fazer pipi (no rio sem roupa), porque o candirú, estava alí, mas tudo foi feito após muitos sóis, pelo Paulo e a Lu, nossos heróis!!!!" André
Dois rios navegam pelo meu universo emocional: o Sena que me toca a alma e o Araguaia minhas entranhas. A preparação para a temporada 2008 iniciou exatamente na despedida do acampamento de 2005. De lá até 2008 foi saudade, recordação e a vontade de voltar. A espera do amanhecer quando falhou o farol só aumentou o comichão que caminhava de um lado pro outro dentro de mim, tamanha era a vontade de pousar o corpo nas águas sensuais do rio e tocar nas suas areias alvas. A iniciação do Fernando, Márcia e Laerte me alegrava e me inquietava. – “E se eles não gostarem? ” perguntei a Saida. – “ A gente os leva até Bandeirantes e de lá eles voltam para Brasília”, respondeu. Acalmei, dormi bem, e na primeira manhã quando vi o Fernando correndo com os olhos brilhando e curiosos a inquietação desapareceu totalmente. O cansaço da viagem evaporou-se na primeira mordida no miSto-quente, no pouso do primeiro tuiuiú e na serenidade estampada no semblante de cada um. Descer no embalo da correnteza foi a grande descoberta. Acho que na vida também deveríamos agir assim. Seguir no embalo da correnteza, sem pressa, apenas ouvindo o silêncio das águas, do corpo e seguindo a voz do coração. Foi o que fiz, ouvi meu corpo e meu coração e voltei mais cedo. Lícia
Araguaia/2008: Barraca bagunçada – sacolas empilhadas, varais lotados; pés sujos de areia, corpo lambuzado de óleo; cantoria até altas horas dos moços na esperança de se sair bem com as vizinhas; blefes sem fim da rapaziada no Texas Hold’Em; as descargas intermináveis no banheiro do barzinho; as piadinhas boas e as infames do Lívio; as mímicas surpreendentes do Laerte; as teses políticas do Orley; o sashimi das piranhas do Prof. Sadi; o curso de pesca ao piau do Prof. Rogério; as recomendações do Prof. Paulo: Sogrão, sua vara ta muito grossa......- QUANTA SAUDADE. Sogrão
Acordei de novo. Acorda putaiada....! Criaaanças ! vêm ver o tuiuiú. Reginaldo, um misto-quente sem presunto, por favor. Faltam 3 minutos prá desligar o gerador.... Pera ai um pouquinho Paulo, vou fazer a mamadeira da Isabela. Vem ni mim..... beiçuda......! Bia..., Luiza ... vêm tomar banho!!! Lívio, traz mais cerveja....!!!!! Lívio, conta uma piada...Passa óleo nas minhas costas... Vamos pescar de rodada? O Fernando fez xixi na cama duas vezes caralho!!! Esta batatinha frita tá ótima!!!! Tem gente no banheiro? Olha a lua que linda!!! Vamos descer na correnteza? Liga a caixa, a água acabou e tô ensaboada... Silvana me dá um acyclovir... Orley você vai a Bandeirantes? traz uma pomada de hypoglos prá mim. Olha a garota de Beverly Hills!!! Vamos jogar buraco? Ai que saco este mosquito! Que ventinho ótimo!! Lá vem a velhinha do chá!!! Olha o por do sol moçada!!!! Será que é alergia? É toco ou é pica? Você me empresta sua vara? Vamos fazer um passeio ecológico? Cadê meu colete? Os Ariranhas estão chegando......Ô tia sogrona.... tio sogrão, tia viza...Luan você tá gostando do Araguaia? Paulo, Lu vocês são demais..... Adorei o Araguaia nossos!!!! Bjs, saudades Licia

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